Rivane Neuenschwander
12 de fevereiro de 2011

Fig. 01 - Chove chuva, instalação de 2002 feita pela primeira vez no Museu de Arte da Pampulha, BH, MG e depois remontada em outros espaços de arte estrangeiros.
Está acontecendo algo no mínimo intrigante no ambiente cultural tupiniquim: a artista patrícia mais conhecida, atualmente, no estrangeiro é, praticamente, pouquíssimo conhecida em seu País e, menos ainda, em seu Estado. Estou falando da artista plástica Rivane Neuenschwander, mineira de Belo Horizonte, que se formou na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais em 1993 e, a seguir, tendo apenas 19 anos, com autoconfiança e coragem (não obstante sua timidez aparente), partiu à conquista do mundo, realizando alhures uma verdadeira maratona de mostras, mas sem nunca perder as suas raízes e nem a ‘ternura’. Já expôs suas criações plásticas, individualmente, nos mais importantes países (Ingraterra, Irlanda, Suécia, em várias cidades dos Estados Unidos, da Holanda, Alemanha, Japão, França, Líbano, Espanha, Itália, etc.) e já participou de quase uma centena de coletivas fora de seu País, como nas principais bienais (de Veneza, Turim e França, por exemplo), em museus, galerias e eventos artísticos internacionais, pelos quais sempre é convidada a representar sua nação.
Têm sido tão intensas suas atividades fora do País, que até ficaria parecendo que ela não teve tempo para mostrar suas criações por aqui. Mas não é assim. Ao contrário, também aqui suas atividades têm sido intensas. Já expôs individualmente no Museu da Pampulha, Belo Horizonte, no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, Recife, bem como em algumas galerias da cidade de São Paulo. Além do exposto, já participou de inúmeras coletivas no território nacional, como das XXVI, XXVII e XXVIII Bienais de São Paulo, de mostras promovidas pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo e pelo Itaú Cultural, de Bienais do Mercosul e de grandes eventos artísticos na maioria de nossos Estados.
Então, o que estaria causando este tão pouco conhecimento por parte de nosso público? Certamente, não é por causa de complexidade teórico-filosófica a embasar-lhe a criação, porque sua obra nada tem de complexa. Ao contrário, em qualquer lugar onde esteja alguma de suas instalações, o convite à participação, à intervenção e ao manuseio feito ao visitante é tão óbvio e forte, que aqui, como em qualquer outro local, o público sempre corresponde com espontaneidade e interesse de vivenciar o que ali se propõe. Seria sim por culpa da mídia que, no Brasil, sempre demonstrou certa cautela e receio quando da cobertura da arte mais avançada, que vai cavar seus espaços nas linhas de frente. Talvez por isto Rivane não venha tendo o espaço que merece na mídia nacional, principalmente na mineira, em que, além de pequenas notas referentes publicadas aqui e ali, uma única matéria, ao que eu saiba, mais profunda, a qual realmente apresenta ao público uma das fases de Rivane, foi-lhe dedicada há poucos meses pelo Estado de Minas, através da coluna de seu crítico Walter Sebastião.
Por outro lado, estranho que a única exposição por ela feita em sua terra natal tenha sido a do Museu de Arte da Pampulha. Pois acredito que já esteja passando da hora de nosso Palácio das Artes promover e montar, em todas as suas dependências, mega mostra das instalações de Rivane Neuenschwander, ela que, recentemente, encheu com sua obra três andares do New Museum de Nova Iorque e outro tanto no Malmõ Konsthall, em Malmõ, na Suécia, obtendo nessas localidades inusitado sucesso de crítica e de público. A exposição realizada no New Museum está integralmente contida no livro Um dia como outro qualquer, em que se publicam todos os textos de análise crítica feitos para a mostra por vários especialistas da área, bem como dados complementares sobre a artista, sua vida e sua obra. O livro em foco teve, em dezembro último, seu lançamento numa livraria da Capital.