Miguel Gontijo – I Modi
31 de outubro de 2010
Para realizar os quadros da exposição de outubro de 2008 – “I Modi”, Miguel Gontijo declara ter-se baseado num album de gravuras feito sobre 16 desenhos do pintor maneirista italiano Giulio Romano, no princípio do século XVI, representando 16 maneiras de fazer amor, que, proibidas pelo Vaticano, teve um exemplar extraviado, o qual chegou até nosso conhecimento no princípio do século XX, quando, reimpressas, foram dadas ao público.
Daí resultaram doze telas em acrílica, medindo 0,50 X 0,50 cm, referentes a “História de amor e de guerra”, nas quais o artista mistura, corajosamente, cenas de falanges numa expectativa de combate, em desenhos tecnicamente perfeitos, marcas de produtos da atual sociedade de consumo, símbolos constantes de sua pintura normal, com cenas que retratam um casal em sua nudez, fazendo sexo, tratadas com ênfase devido ao tamanho das figuras, sempre dominando a obra.
É o que acontece aqui. O esquadrão interrompe a marcha, incerto quanto aos objetivos e ao destino. Bananas esvoaçam. Bananas? Mas onde estariam estes soldados, com suas lanças, estandartes e animais? Em território nosso? “Yes, nós temos bananas”, mas elas estão verdes e banana verde não se dá… Em vista disso, o destacamento desiste de seu avanço e começa a dar meia-volta. Um estandarte, que retrata Nossa Senhora e na verdade é um selo, vincula a hoste ao casal, tapando alguma coisa. Contracenam com ela, à esquerda, o manuscrito ilegível abaixo da caveira de pássaro (símbolo encontrável em várias pinturas de Miguel) e o estandarte maior do exército; à direita, soberana, a pomada Minâncora e, acima, o guarda-sol da Varig, por trás do qual se estende estranha persiana, através de cujas aberturas intranqüilizantes olhos nos sondam.
A composição de “Eu não lhe prometi um mar de rosas”, em seus efeitos, é muito próxima da comentada acima. Duas falanges rivais se encontram, se cumprimentam e decidem: “Façamos amor, não façamos guerra”, sob a égide integral do preservativo Jontex. Acima, dominando o quadro, disposto entre cartas de tarô, reclame de D. Luzia, charlatã de conselhos sobre amor, e registro de tapeçaria, um casal se ama.
Esperemos para conferir o que Miguel Gontijo, agora em outra perspectiva de arte, está preparando para mostrar-nos este ano.

