Marcelo A. B. – Arte e Arqueologia
27 de novembro de 2010
Então, baseado nas centenas de fotos consigo trazidas e submetidas a alterações computadorizadas, pintou no mesmo ano, ao seu retorno, os quadros os quais participaram da citada exposição. Entre eles: Palácio de Westminster, com a Torre do Big Ben; Montmartre; Auto-retrato na Praça 7; Ginevra Binci e Mona Lisa, segundo Da Vinci; Estação de Metrô em Paris; Rua de Londres; Rua de Paris; Centro de Londres; Trânsito em Londres; e Pub em Londres.
Acredito que a pintura mais significativa desta última fase, desenvolvida com base nas fotos trazidas da Europa, é aquela na qual focaliza o Big Ben, o mágico sino de treze toneladas e tres metros de boca instalado na imponente Torre do Relógio, parte importante do complexo de Westminster, onde se localiza a Catedral do mesmo nome, orgulho da Inglaterra, e as Casas do Parlamento britânico. Big Ben a princípío era apenas o nome do sino, mas acabou com o tempo batizando também todo o relógio da torre, que se tornou mundialmente famoso graças à sua regularidade e precisão. Houve período, imagine só, que o tempo no mundo, extra-oficialmente, é claro, era regulado pelo Big Ben, hoje com 150 anos de existência. Algumas emissoras de rádio, como a Nacional do Rio de Janeiro, a Inconfidência de Belo Horizonte e outras, quando ainda não havia televisão, começavam seus noticiários dizendo, com certa sofisticação: “São agora X horas, X minutos e X segundos, de acordo com o Big Ben de Londres…” Mas hoje o vetusto mecanismo de controle do horário perdeu a hegemonia sobre o tempo (embora a BBC de Londres ainda insista em reproduzir-lhe a cada sessenta minutos o som das badaladas, como que chamando a atenção do mundo para a hora certa), pois as fábricas famosas de relógios pequenos produzem às centenas pequenos aparelhos do gênero muito mais precisos, bem como alguns digitais de total exatidão, que nunca atrasam ou adiantam, entra ano sai ano, enquanto o famoso relógio de Westminster carece de acerto em alguns segundos anualmente, além de exigir constante e complicada manutenção. Os ingleses, é claro, continuam a regular seus horários por ele e a cultuá-lo como importante marco de sua história recente, mas o resto do mundo só o vê hoje como o ícone de um momento que ficou na memória. Pois foi tal ícone que Marcelo buscou, exatamente com esta conotação, pelo que se entende bem quando ele mesmo explica: “A minha arqueologia tem o significado de memória. Memória de fatos contemporâneos, algo que ainda existe, mas de que decretamos a absolescência”.
Significado semelhante haveria de ter se o nosso artista fosse inspirar-se também em monumentos como a Torre Eiffel, da França, o Cristo Redentor, do Brasil, a Estátua da Liberdade, dos Estados Unidos, o Taj Mahal, da Índia, etc., todos ícones modernos de determinadas circunstâncias. Disporia as fotos sobre a prancheta e teria a sugestão de pinturas as quais, dissimuladas sob veladuras e depois reveladas com o esmaecimento que têm as cores do que é antigo, iriam participar dessa técnica arqueológica de que nos fala o pintor.

Caro Pierre, só hoje, dia 20 de dezembro, por um acaso, vejo no Arte BH, sua análise crítica e histórica sobre meus trabahos. Histórica sim, porque foi buscar em outros momentos “arqueológicos” de minha trajetória o fio condutor desse desdobramento de minhas arqueologias. Mais uma vez agradeço por esse seu olhar crítico e sensível que poucos como você possuem. Fará parte, se me permitir, do meu próximo catálogo, quando de uma próxima exposição. Marcelo AB.