As Aquarelas de Nemer
12 de novembro de 2010
Sutileza, diafaneidade, leveza espiritual – eis algumas das infinitas impressões que me deixaram as últimas aquarelas de José Alberto Nemer, recentemente expostas na Quadrum Galeria de Arte, em Belo Horizonte.
Contemplar seus desenhos, deixando-se levar num mágico voo pelas regiões dessas incríveis transparências, desse lento balé de linhas que projetam luzes e sombras no campo imaginário da criação, como se de dança se tratasse, é viajar para uma região da alma onde a poesia se forja, onde em surdina as cirandas dos anjos são inventadas e onde, com a emoção despertada, é possível acariciar o próprio sonho, qual se matéria fosse e corpus tivesse, qual se acarinha impossíveis fímbrias nos côncavos do amor.
Contemplá-los, deixando-se vogar em seus meandros, é recriar um mundo atópico e utópico, em cuja atmosfera todos os atavismos se desmistificam, e, purificado, o co-inventor se sente levitar nos confins do universo, tornado oásis cósmico biblicamente primevo.
Os campos coloridos em sugestivas cambiantes, sempre contornados por tênues linhas de cores afins, como para mantê-los na composição, evitando que, tornados bolhas irisadas, saiam esvoaçando por aí; a riqueza dos meios tons em cada forma, criando em sua extensão tanta variação e encantamento; todos os conjuntos formais gravitando em torno de estratégico ponto catalizador, tal se fosse imã… tudo nessas aquarelas fala-nos de maturação e conviccão de um artista que, em sua caminhada, ora pode demonstrar-nos algo do mais alto nível e significativa performance, como merecidamente são estes desenhos.
Meu Caro Pierre,
O seu texto me comove, não só pela pertinência na leitura do trabalho, como também pela forma poética com que faz a crítica. Li os textos que falam das obras dos outros artistas, confirmando assim meu sentimento. Muito obrigado, Nemer